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4 de out. de 2007

O novo (velho) discurso

Voltam-se os canhões contra a proposta de contratação de mais servidores públicos federais. Com o título de "A ineficiência do setor público brasileiro", Everardo Maciel (Ex-Receita Federal) escreve e Noblat destaca em seu blog o grande erro de Lula, chamando o presidente de algo abaixo do rudimentar.

Com o velho discurso apontado para a classe média cita que as greves dos servidores provoca aumentos sem lógica, sem desempenho de qualidade, que oneram o estado, gerando impostos exorbitantes sem parâmetros com os outros emergentes, atravacando o sucesso brasileiro.

Eles devem pensar que se estivesse no governo o PSDB e com essa facilidade mundial, o Brasil já teria superado a França como potência. Seríamos uma Inglaterra!
Tentaram isso nos anos 90. E o que se mostrou? Que o mercado provoca aumentos sem lógica, manipulando os preços, agindo como cartel. E o Serviço Público para fiscalizar isso é inoperante. Por falta de pessoal e treinamento. O comércio repassa tudo o que pode dos impostos para o consumidor. O comércio escracha o serviço público.

O caso da Light do Rio de Janeiro, por exemplo, foi comprada por um grupo francês e americano por R$2,2 bi em 1996. O grupo entrou, fez a re-engenharia, terceirizou vários serviços, demitiu a malta. Os serviços pioraram, veio a crise cambial. O grupo se endivida com o BNDES (uma mãe nessa época). O americano abandona o francês sozinho em 2000. Quando finda a concessão em 2006, ele vende a Light para um grupo brasileiro. Abandona, assim como o consumidor ficou abandonado. Os serviços de energia são campeões em reclamação. Recentemente desligaram a luz até em casa de pessoas com serviço médico. (ela morreu)

As agências criadas para regulamentar este jogo de estado mínimo, foram feitas para atender ao comércio. A ANATEL citada no texto permitiu aumentos exorbitantes. Passaram a cobrar mais pelos pulsos, os nossos, e cobrança de assinatura. É o modelo brasileiro de capitalismo liberal. Os professores de Harvard e Oxford ficam satisfeitos, queriam fazer isso lá, mas um estado com o mínimo de sentimento de cidadania não deixa.

A questão brasileira tem que passar por esse processo, qualificar o estado com treinamento, tratar todos de forma universal, para então sentarmos em uma praça, sem medo de sofrer algum ato violento. Um melhor serviço público presente e atuante em todas as partes do Brasil é a melhor resposta para apaziguarmos este país. Em todos os setores. Isso onera? Sempre. A questão é: quer pagar quanto?

E pelo quê?

11 de out. de 2006

Os porquês

Dizem que religião e politica não se discute... Só que, mesmo correndo o
risco de perder alguns amigos, me reservo o direito de discordar da segunda
parte ;-)

Enton... Antes que essa eleição termine sem ninguem ter falado nada...

Votei no lula em 2002. Tenho que confessar que foi muito bom eleger um presidente pela primeira vez.... O governo começou com seus erros e acertos e estava indo de forma digamos "estável" (nada surpreendente, mas também nada desastroso) até 2005... Até que a chamada crise política mudou tudo, foi derrubando um por um das grandes figuras do PT.... Quem disser que não se decepcionou ou é porque votou no Serra (minoria) ou está mentindo.

Agora temos uma eleição de novo que, com apenas dois candidatos ditos "principais", vira quase que um plebiscito. Representando o governo petista e o Lula: o próprio. Representando o governo tucano e FHC: Alckmin. A comparação é inevitavél e, mais do que isso, sabemos que a turma do governo FHC tá toda ai de volta (coordenando a campanha, fazendo o programa de governo, etc)

Acho que vale a pena lembrar alguns fatos, fazer uma reflexão e colocar as informações nas suas devidas proporções...

O governo Lula foi bom para os banqueiros e os pobres? Com certeza foi. Muito melhor que o FHC que foi bom APENAS para os banqueiros! Não estou inventando isso não, vamos aos fatos... Lembrem que o Banco Central vendeu dolar mais barato ao banco do Cacciola (que fugiu pra Italia pra não ser preso) causando só ai uma perda de R$ 1,6 bilhão:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u20042.shtml

Na boa, 1.6 bi é muita grana. Antes disso, com o socorro aos bancos (o PROER) o governo já teria gasto 12% do PIB segundo economistas da Cepal:

http://www.senado.gov.br/sf/noticia/senamidia/historico/1999/11/zn112613.htm


Tudo bem, mesmo sem ajuda direta, os bancos continuam tendo lucros extraordinários com o Lula... Até ai empate, talvez?

Então começam as diferenças: o governo Lula termina sem ter QUEBRADO o país para se reeleger. O PSDB adora falar que inventou a lei de responsabilidade fiscal, mas infelizmente devemos admitir: o troféu da irresponsabilidade fiscal também pertence ao governo FHC.

De saída compra-se uns deputados pra votar pela reeleição. Ronivon Santiago, recentemente preso com os sanguessugas, confessa que embolsou 200 mil pelo seu voto:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/pre_mer_voto_1.htm

Mas comprar deputados não foi nada, isso o PT também fez. Todo mundo ficou sabendo do mensalão, devezenquandão... Seria outro empate?

Só que foi muito pior, mas foi MUITO pior e mais danoso ao país o que eles fizeram pra terminar de reeleger FHC em 98. A formula é simples: manter o real super-valorizado até a eleição. Com o real super- valorizado os importados ficam baratinhos, segura-se a inflação, todo mundo fica feliz de poder viajar, comprar eletro-eletrônicos e etc. O problema é que as contas externas do país não fecham... Dane-se o país! O que importa é a reeleição, não é? Pra refrescar a memória: logo após a eleição, em janeiro de 99, o dolar disparou de R$ 1,21 para R$ 2,06.

http://www.dieese.org.br/esp/cambio/cambio.xml

É lógico que a dívida pública explodiu de 98 para 99, passando de 37,8% do PIB para 50,4%. No final de FHC-2, em 2002, chegou a 57,3%:

http://www.dieese.org.br/notatecnica/notatecDividapublica.pdf

Então voltamos a agosto de 2006 para comparar: nesse final de governo a dívida pública está em 50,3% do PIB. Ou seja, a dívida do governo é praticamente estável no governo Lula, com pequena redução em termos relativos (absolutamente cresceu).

http://www.estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2006/ago/24/184.htm


É claro que o arrocho da equipe econômica é uma merda...

O tão falado "superavit primário" é um eufemismo, não há, necessariamente, superavit algum. E isso impede que o governo faça mais investimentos... Afinal qualquer coisa é melhor do que ficar pagando juros de uma dívida.

Só que essa dívida não surgiu agora, do nada. Não sei se existe outra forma de administrar isso, mas se a gente jogar pelas regras do jogo, não tem como deixar de pagar. A conta é simples: a dívida tá em torno de um trilhão de reais... Quanto é que a gente recebe pelo dinheiro que tá investido na renda fixa? Digamos 13% no Itaú? Então não tem mágica, esse dinheiro vem dos títulos públicos, vem do governo. Fazendo um chute por baixo dá 130 bilhões por ano. É muito dinheiro que poderia estar sendo melhor utilizado!

Fernando Henrique Cardoso foi IRRESPONSÁVEL, foi CRIMINOSO. Manter a inflação baixa, falindo o país desse jeito é mole. Eu lembro de ter visto FHC na televisão falando explicitamente que as privatizações seriam usadas para reduzir a dívida, é só procurar os arquivos da época:

http://www.radiobras.gov.br/anteriores/1997/sinopses_1707.htm

http://www.radiobras.gov.br/integras/98/integra_3006_2.htm

Parece até piada, vendeu-se tudo e a dívida TRIPLICOU!

Bom, por falar em privatizações... Apenas um caso pra entender o nível da zona: Luiz Carlos Mendonça de Barros (na época ministro das comunicações, atual consultor econômico do Alckmin) conversa com André Lara Resende (na época presidente do BNDES) como seria montada uma operação, um "esquema", para favorecer o Opportunity do Daniel Dantas no leilão da Telebras. Até FHC foi chamado para interferir e convencer os fundos de pensão a participarem. As conversas foram gravadas e vazaram para a imprensa:

http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=1390


Ok. Falar mal de FHC é facil... Quero ver falar bem do Lula.

Queiram vocês ou não, 94% das crianças no bolsa-familia fazem três refeições por dia. Na pesquisa realizada pela UFF, a qualidade da alimentação melhorou para 85% das familias do programa.

http://www.radiobras.gov.br/abrn/brasilagora/materia.phtml?materia=267419

http://www.universia.com.br/html/noticia/noticia_clipping_dbdji.html

Antes que alguém diga que o bolsa familia é roubalheira, que o governo paga pra quem não é pobre e tal, é bom saber que no site Transparência (criado no governo Lula) é possível ir em cada cidade e ver o nome e o CPF de cada pessoa que recebe o benefício. Pode ser 30 reais que seja, tá tudo lá. Se souber de algo errado, denuncie!!

http://www.transparencia.gov.br

Além disso o site tem todos os pagamentos do governo... Acho que pode até procurar pelo CNPJ da empresa do Duda Mendonça ou do Marcos Valerio pra ver quanto foi pago em publicidade (ou seria "publicidade" entre aspas?) ...

O governo já construiu 152.400 cisternas no semi-árido com o programa Fome Zero. São 152 mil famílias que deixam de depender daquela "ajuda" de caminhão-pipa de político em época de eleição, é um ciclo de dependência que se quebra. É um projeto simples e eficiente, sem medidas mirabolantes: A água da chuva é recolhida do telhado da casa, filtrada e guardada numa cisterna semi-enterrada de onde ela pode ser consumida durante vários meses. Outro impacto é na saúde. Uma comunidade da Bahia acusou 100% de habitantes com verminose antes da construção de cisternas, depois, caiu para 7%:

http://www.febraban.org.br/Arquivo/Destaques/destaque-fomezero_cistermas.asp

http://www.fomezero.gov.br/noticias/patrus-programas-sociais-sustentam

Num filme recente do Eduardo Coutinho que eu vi (que não tem nada a ver com o governo) , eles por acaso chegavam pra filmar numa casa que fazia parte do programa... A mulher achou que era o pessoal das cisternas que estava indo inspecionar e só ai me toquei dos tubos de pvc saindo do telhado...

Em todos buracos que viajei nos últimos anos, no confins do Vale do Jequitinhonha e no interiorzão da Bahia, em todo lugar eu vejo a placa do programa Luz para Todos. Na placa tem sempre escrito o nome da comunidade, geralmente são lugares bem pobres (pense bem: não ter energia elétrica em 2006 é quase medieval). Não sei quais são os números do programa, mas que ele existe e certamente está garantindo mais uns votos pro Lula isso tá...

E a Polícia Federal? Tá pegando corrupto e pilantra aos montes... Também não tem mágica: É só dar recursos, permitir a contratação de pessoal e deixar os caras trabalharem. Lembrando um exemplo de como a PF funcionava nos tempos de FHC: em 95 ao saber que estava sendo investigado pela PF, ACM ligou para o diretor geral Wilson Romão e ameaçou usar polícia civil para prender o delegado federal Roberto Chagas Monteiro. Resultado: as investigações foram
suspensas e o delegado foi mandando para a Argentina!

http://www.zaz.com.br/istoe/1634/politica/1634_memorias_trevas5.htm

Li uma entrevista do Paulo Lacerda (diretor da PF) há uns 2 anos dizendo que o que ele fazia era colocar equipes de um estado pra pegar os bandidos de outro estado... Aí o que vale é a lei... Não tem aquele amigo que conhece um delegado da PF disposto a "dar um jeitinho"...

Enquanto em 8 anos de FHC foram menos de 100 operações, em 4 anos de Lula já são 280! A cada investigação descobre-se mais material para futuras investigações... Eles dizem que já têm material para mais 5 anos de operações...

Depois da investigação vem o inquérito. Enquanto o procurador geral escolhido por FHC ficou marcado pelo incômodo apelido de "engavetador geral" (Geraldo Brindeiro arquivava ou simplesmente "esquecia" todas as denuncias contra o governo), Lula escolheu sempre o candidato indicado pelos membros do ministério público, primeiro Cláudio Fonteles e depois Antonio Fernando de Souza.

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/411/financas/dono_poder.htm

E ainda tem gente que diz que o governo Lula é "o mais corrupto da história"... Sob que métrica?

A CPI do Collor concluiu que 10,6 milhões foram usados diretamente para pagar despesas pessoais do presidente, de um total de 260 milhões.

http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=2926

A Controladoria Geral da União mostrou que a maior parte das liberações de dinheiro para a máfia dos sanguessugas foram feitas no último ano do governo FHC e que os valores cairam no governo Lula.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u80751.shtml

Enquanto isso, o Engavetador Geral engavetou 242 inquéritos e arquivou outros 217 envolvendo deputados, senadores, ministros, ex-ministros e o próprio FHC. E o Alckmin conseguiu barrar a abertura de todos os 69 pedidos de CPI protocolados na atual legislatura da Assembléia de SP:

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=10511

A questão é que muita gente ainda tem preconceito com o presidente ex-metalúrgico... O "sapo barbudo", como dizia o Brizola em 89. Imagina se um senador da república iria subir na tribuna pra ameaçar dar uma surra no presidente se fosse o FHC?? Pois é, o senador Arthur Virgilio, atual paladino anti-caixa 2 (mas que no passado confessou ter feito uso do recurso em entrevista ao Jornal do Brasil) fez isso.

Enfim... Votar em Alckmin nem pensar. Pode parecer que os candidatos têm propostas parecidas e são a mesma coisa, mas na boa... Não são não. Os resultados estão ai, é só comparar... Balança comercial brasileira, quitação da dívida com o FMI, índice Gini de desigualdade de renda, combate ao trabalho escravo, ao trabalho infantil, ao analfabetismo...

Esses economistas do PSDB (a galerinha da Casa das Garças) estão sempre pensando nas próximas grandes negociatas, depois da farra que foram as privatizações... A próxima seria tirar o dinheiro do FAT do BNDES (que empresta a juros mais baixos para promover projetos de inovação, infraestrutura e desenvolvimento social) para colocar na mão dos bancos privados, que segundo eles obteriam taxas mais baixas pela competição... Alguém acredita em competitividade entre os bancos privados?

http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=1982

Sei que os tucanos e o PFL estão loucos pra voltar... Vou votar em Lula de novo e espero que eles não atrapalhem o país pelos próximos 4 anos.

Pesquisa e texto: Miguel Freitas

13 de set. de 2005

Viúva de Mitterrand diz que crise brasileira é falsa

A presidente da Fundação France Liberté, Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente francês François Mitterrand, falecido em 1996, defendeu, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo. "A crise (política) é falsa. É uma maneira de a oposição desonrar um homem que pode ser bem- sucedido e que tem apoio popular dos brasileiros", declarou Danielle. Ela esteve em Brasília para assinar, com o ministro-chefe da Secretaria das Relações Institucionais, Jacques Wagner, protocolo complementar ao acordo de cooperação Brasil/França para a elaboração de indicadores que permitirão avaliar as políticas sociais e também os avanços em relação ao cumprimento das oito metas do milênio.

"Creio que o momento é de apoiar vigorosamente o presidente Lula pois o caminho do seu governo é correto", acrescentou ela. "Penso que este governo fez muita coisa na área social e vem sendo bem-sucedido."

Danielle apóia vários projetos da área social no país, como as cooperativas de catadores de papel e lixo em Belo Horizonte, que está produzindo material reciclado, e de produtores de açúcar em Pernambuco, que distribui o produto e seus derivados em diversos países da Europa. Após assinar o protocolo, Danielle Mitterrand, destacou que "o grande valor do Brasil é seu povo e sua natureza" e que o empreendedorismo dos brasileiros tem um valor impossível de ser contabilizado.

Fonte: Agência Estado

21 de jul. de 2005

"DESABAFO"

Dirceu: "Vamos ter muita luta pela frente, mas eu sei lutar"

O colunista Jorge Bastos Moreno no Globo Online, citando como fonte um amigo do deputado José Dirceu (PT/SP), diz que, "para quem está há 40 dias no centro de uma crise política dessas dimensões, o homem está inteiro. E seguro."

O colunista reproduz um "relato do que o deputado anda pensando", a partir do que enotou "no meu caderninho". Comenta, a título de introdução, que o ministro-chefe da Casa Civil não faz "um desabafo amargurado, raivoso ou deprimido". Longe disso, Dirceu "estaria surpreendentemente de bom humor, com disposição para a luta". E cita: "Vamos ter muita luta pela frente. Mas eu sei lutar. Quando se tem o bom propósito na cabeça, a força não nos abandona."

Veja o texto reproduzido do blog, com a ressalva, feita por Bastos Moreno, de que "não são as palavras de José Dirceu mas as palavras atribuídas a José Dirceu por um desses amigos que estiveram com ele".

“Por que o Lula me tirou do governo? É uma pergunta que eu me faço cada vez mais. Não há rigorosamente nada contra mim. Nada. Agora, eu tenho até um atestado de idoneidade, depois do depoimento do Cachoeira na CPI dos Bingos. Eu já tinha esclarecido tudo àquela época. Na CPI estadual também fiquei limpo. Não devo nada.

Eu não tenho medo de nenhuma das investigações em curso, estou com a consciência mais do que tranquila. Eu não tenho medo de ir a CPI alguma, mas não vejo sentido em ser convocado pela CPI dos Correios. O que eu tenho a ver com aquela investigação? O meu nome não foi citado uma única vez, por quem quer que seja. Todos os nomes citados pelo funcionário dos Correios que recebe propina são do PTB. Roberto Jefferson me cita para dizer que eu é que mandei fazer aquela investigação. Ora, não vem ao caso se isso é verdade ou não, mas se eu teria mandado investigar, como posso estar envolvido na corrupção?

Os nomes citados na CPI dos Correios são outros. Não fui citado até agora por nenhum depoente. Por que ir lá?

A CPI do Mensalão é outra coisa. Vou ao Conselho de Ética. Não vejo problema nisso. Sou deputado, tenho o maior apreço pela Casa, como não poderia deixar de ser. Vou lá, tenho obrigação de ir e darei todas as explicações.

Vou dizer o óbvio: não tem mensalão algum, nunca teve e tenho certeza de que nunca haverá. Um esquema corrupto desse seria inadministrável! Isso é loucura, fantasia pura.

As oposições viram nessas denúncias uma oportunidade de carimbar o governo do presidente Lula. Mas para derrotá-lo vão ter que vencer nas urnas. Não tem essa conversa de tirá-lo do poder antes.Se tentarem fazer isso, vão incendiar o país, eles sabem disso, e eu vou estar na linha de frente para impedir isso. Se tentarem fazer isso, se o PSDB tentar, fiquem certos de que eles vão passar dez anos sem voltar ao governo, porque esse país vai ficar um furacão. A democracia levou tempo demais para se consolidar e não vai ser qualquer luta política que vai pôr fim a ela!

O PT tem de se explicar. Eu tenho falado isso para todos os companheiros. Se eu estivesse no comando do PT, se o Tarso Genro estivesse no comando do PT, essa loucura não tinha acontecido. Jamais teríamos dado tanta autonomia assim, para empréstimos tão altos. Nunca. Mas eu não podia mais me ocupar do PT e, institucionalmente, nem podia, porque estava no governo. Me afastei totalmente do partido.

Tão falando em Operação Uruguai, mas não é nada disso. Os empréstimos, eu soube agora, existem, estão registrados no Banco Central. A Operação Uruguai foi forjada. Como é que se forjam contratos de empréstimos no sistema bancário oficial, monitorado pelo Banco Central? Isso é balela, e tudo vai ficar esclarecido. Podem dizer que os empréstimos foram uma loucura, mas eles existiram, oficialmente. Isso de Operação Uruguai é besteira, vai tudo ficar claro.

Genoíno, coitado, está sofrendo muito, ele nem tem saúde para aguentar o tranco. Temos de dar suporte a ele nessa hora. Ele de fato não se envolveu nisso. O estilo dele é fazer política e não se envolver nessas questões. Foi omisso. Isso eu digo, com pena, mas digo: foi omisso, uma loucura.

Agora, não adianta chorar. Eu tenho falado para os companheiros. Quem pegou dinheiro para campanha tem de assumir. Não adianta negar, porque mais tempo menos tempo isso virá à tona e não adianta mentir. O pior é parecer que foi mensalão ou dinheiro de corrupção. Não foi. Os deputados do PT que sacaram o dinheiro no banco fizeram isso para as campanhas do partido. E devem assumir. Nem todos, é verdade. Tem dois ou três que não fizeram. Mas os outros devem assumir. E dizer claramente que o que fizeram todo mundo faz, porque o sistema político-eleitoral brasileiro leva a isso. Erramos, mas todo mundo errou. Ou vai dizer que os outros partidos resistem a uma investigação?

O que tem de mudar é o sistema político-eleitoral. As campanhas ficaram caras, o preço da democracia ficou muito alto, ninguém suporta os custos de uma campanha.

Showmício hoje é como um grande festival de Rock que é caríssimo, mas financiado por ingressos, por merchandising, por direitos de transmissão. Showmício custa igualmente caro mas é de graça, totalmente bancado pelas campanhas. A campanha na televisão é cada vez mais cara. Ninguém suporta e acaba gerando isso que estamos vendo. O PT está sendo o alvo hoje, mas qualquer partido poderia ser o centro das denúncias.

Acho positivo o Delúbio ter assumido isso. Foi errado, mas é melhor dizer a verdade. Não tem estratégia alguma de assumir o crime menor para esconder o maior. A estratégia é a verdade, é dizer a verdade: se erro houve, foi esse o erro. E isso vai ficar transparente nas investigações. Tem um monte de companheiro sofrendo. Gente que foi remunerada pelo partido com esse dinheiro não declarado e, agora, enfrenta o dilema: ou passa por corrupto ou assume que recebeu o dinheiro pelo seu trabalho legítimo, mas ‘por fora’. Não tem jeito. Quem recebeu sem ser pelos trâmites corretos, tem de admitir, retificar na receita, pagar os impostos. É tudo coisa pequena, tudo pagamento pelo trabalho legítimo pelo partido. Mas como o PT não tinha caixa, tinha de pagar dessa maneira. Agora, tem de enfrentar, admitir e retificar na Receita.

Eu estou tranquilo. Sei que vou levar uns dois anos para me recuperar politicamente, mas vou me recuperar. Tenho forças, já aguentei tranco pior. Vou aguentar mais este.

É por isso que estou calado, não adianta falar agora. Mas vou lutar, porque quem é inocente não teme nada. E eu sou totalmente inocente. Nunca me aproveitei de dinheiro público. Nunca me sujei.

Essa história de dizer que se eu depuser vou botar a boca no mundo, falando cobras e lagartos, como o Jefferson, é falsa, porque eu não tenho o que falar, não tenho podridão nenhuma escondida de nenhum companheiro. Mas tenho dos adversários. Tenho uma lista das nomeações que o Jefferson queria que fizéssemos e que não fizemos porque os indicados não tinham reputação ilibada.

A imprensa à época escreveu páginas e páginas dizendo que os aliados estavam insatisfeitos porque nunca demos nenhum ministério com porteira fechada: a diretoria era sempre pluripartidária, para evitar conluio, para que um controlasse o outro. Sempre se queixavam de que nós dávamos a presidência, mas segurávamos algumas diretorias, para controlá-los. Como é que agora viramos corruptos? Isso não faz sentido.

Vamos ter muita luta pela frente. Mas eu sei lutar. Quando se tem o bom propósito na cabeça, a força não nos abandona.

Eu tenho me dedicado aos meus afazeres de deputado. Ando pelas ruas sem nenhum problema. Vou a todos os lugares. Pego aviões em aeroportos lotados. E nada me acontece. Claro, um ou outro se aproxima para conversar, mas sempre gentilmente. Uma vez ouvi alguém dizer que estava decepcionado. Eu dialoguei, conversei, expus meus pontos.

Essa história de quem tem sósia meu levando tomate podre é mentira. Dupla mentira: primeiro, porque acho que o sujeito não é meu sósia; segundo, porque a história só pode ser inventada. Ouço críticas aqui e ali, mas sempre com muito respeito. Essa é uma característica do nosso povo.

Passo os dias me preparando para a luta. Lendo meus livros. Li a biografia do Fidel, escrita pela Cláudia Furiatti. Agora, estou lendo o livro sobre a Coluna Prestes, do Domingos Meirelles. Por essas duas leituras, as pessoas podem ter uma idéia da minha disposição.”


Fonte:Globo Online

13 de jul. de 2005

Quando parar o maluco sou eu

Impressionante, mas quem escreveu 'sabe tudo' de golpe. Amigo dos milicos, conhece as engrenagens golpistas e todas as suas artimanhas. Bem segue o texto dele hoje:

Há um fino golpe no ar
ELIO GASPARI

É golpista a articulação de uma renúncia de Lula à reeleição. Embrulhada numa Sacola da Daslu (a Bolsa Família dos tucanos), ela funcionaria assim:
1 — Lula vai à televisão e anuncia que não disputará a reeleição.
2 — O Congresso aprova uma emenda constitucional que acaba com a reeleição e aumenta de quatro para cinco anos o mandato dos próximos presidentes da República.
3 — Desmoralizado, o companheiro vai para casa, o PT definha, e o PSDB volta ao Planalto.

A idéia é golpista porque coloca a Constituição a reboque de um arranjo. As leis da terra dizem que o mandato de Lula vai até o dia 1 de janeiro de 2007, quando será substituído na Presidência pelo cidadão escolhido em 2006. Essas mesmas leis garantem ao companheiro o direito de disputar a reeleição.

O arranjo embute a cassação dos cidadãos encarregados de eleger o presidente da República. Cassa-lhes o direito de julgar Lula. Se ele quiser disputar a reeleição, duas coisas podem acontecer: ganha ou perde. Nos dois resultados, seu destino será decidido pela patuléia soberana que o pôs no Planalto em 2002. Os hierarcas de Brasília não têm mandato para fazer um cambalacho que tira aos eleitores o direito de decidir a questão. Tem gente disposta a mostrar que continua confiando no presidente, assim como tem gente que venderia a cueca para ter o gosto de mandá-lo de volta para São Bernardo.

O interesse pela renúncia de Lula reflete dois tipos de receios. A desistência seria conveniente para preservá-lo. Uma espécie de trégua no andar de cima. Esse é o receio bem-intencionado. Maligno é o medo de que, uma vez candidato, Lula se reeleja. Afinal, se esse medo não existisse, a desistência seria desnecessária, por irrelevante.

Medo de voto é coisa perigosa. Não custa lembrar uma brilhante construção do jornalista Carlos Lacerda em 1950: “O sr. Getúlio Vargas (?) não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito.” Até aí, tudo bem, mas Lacerda continua: “Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.” As desgraças da política nacional na segunda metade do século passado vinham das duas primeiras negativas: “não deve ser candidato (?)”, “não deve ser eleito”. Era o medo da volta de Vargas, que virou medo da chegada de João Goulart e, mais tarde, tornou-se o medo (absolutamente despropositado) da vitória de Lula.

Trata-se de um golpezinho esperto, porque seria ratificado pela vítima. Como na mágica de 1961, quando João Goulart se conformou com o parlamentarismo de mentirinha que salvou a face de uma revolta de generais derrotada nas ruas. É também um golpe bem-educado, pois assenta-se exclusivamente num conchavo parlamentar. Não rosna a força das armas, nem a da rua.

Em 1840, com o Golpe da Maioridade, os mandarins do Império colocaram um garoto de 14 anos no trono do Brasil.Na República, sucederam-se os Golpes da Menoridade, todos destinados a substituir a vontade de um povo considerado incapaz. A idéia é sempre a mesma: em nome de uma conciliação destinada a aplacar as tensões da Guerra Fria (no século XX) ou dos mercados financeiros (no XXI) aceita-se qualquer acordo, desde que a escumalha fique de fora.

Se Lula achar que deve disputar a reeleição, não se pode tirar ao povo brasileiro o direito de decidir onde o companheiro vai morar.

12 de jul. de 2005

Imprensa que eles peidam

o título é uma alusão ao bloco de carnaval 'imprensa que eu gamo'

Num país sério essas coisas não ocorreriam. O Globo Online estampa que as 'Denúncias não sujam a imagem de Lula', pôrra, todo mundo sabe a diferença entre sujar e manchar, graus distintos. É uma imprensa, em sua maioria, covarde. Se esconde atrás do véu da liberdade, mas quando é assunto favorável aos seus editores mudam logo o tom.

Me lembra aquelezinho do 'Merdal' Pereira que tomou uma corrida do Lessa. Também escrevia bobagem pelo simples fato de querer desancar os outros, no caso o presidente do BNDES numa campanha pessoal. Esta imprensa não pode continuar assim, mas vai. Este mesmo Merval escreveu que inchaço de deputados da base governista não ocorreu no governo anterior. Como?! Hã?! O PSDB se elegeu com uns 30 ou 40 e logo depois já passava dos 60/70.

E a Dora, nossa senhora, é horripilante escutá-la nas ondas do rádio. Lê-la eu já havia desistido. E a filha dela, a Helena Chagas, deveríamos sermos vacinados com doenças como essa...

Sinto pelos poucos bons jornalistas, Tereza Cruvinel é um deles, são ilhas deética comportamental nesta excrecência geral.

Por isso que eu falo(escrevo), a gente lê os jornais, internets, tvs e rádios e é tudo pasteurizado. Stálin ficaria orgulhoso... Plim-plim.

4 de jul. de 2005

Cinco razões para defenestrar Lula

Em meio à crise, vem-se dizendo à esquerda e à direita que a turma da Casa Grande não teria motivos para defenestrar Lula do Planalto, uma vez que a política econômica lhe satisfaz. Ledo engano. A entrevista de FHC à revista "Exame" é um indício disso.
Em meio à maré de denúncias e debates sobre corrupção no PT, no governo, em estatais e no Congresso, vem-se propalando tanto à direita quanto à esquerda a tese de que a turma da Casa Grande brasileira, em especial a do disco rígido financeiro e rentista, não teria o menor motivo para defenestrar Lula do Planalto, uma vez que a sua política econômica lhe protege e satisfaz o apetite.
Ledo engano. O indício mais claro desse engano é a solerte sugestão do sempre alerta Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista Exame que ora circula, sugerindo que Lula declare não ser candidato em 2006 como modo de saltar sobre a crise de governo, além de repetir que o PT é um partido anacrônico, estatista, etc. Dou abaixo algumas razões para que a Casa Grande queira defenestrar Lula, seja em 2006, seja antes, se esta oportunidade se oferecer ou se impuser.
1) Há prisões demasiadas de empresários aparecendo na TV, e escritórios de advocacia tendo arquivos abertos. Já se ouvem gritas na também sempre alerta imprensa, em artigos e editoriais, reclamando que a Polícia Federal está demasiado à solta. Ou que o governo faz publicidade e espalhafato com essas prisões e devassas. Ora, um Ministério da Justiça de fato comprometido com a luta contra os crimes de colarinho branco é coisa que tira o sono de muita gente na Casa Grande brasileira. E o povão gosta de ver colarinho branco criminoso algemado ou preso. Ou não?
2) Lula negociou com o MST. E resistiu ao tratoraço dos ruralistas em Brasília, não lhes cedendo tudo aquilo que queriam. Até o momento o governo não reprimiu um único movimento de trabalhadores. Apesar de envolto pela política econômica neoliberal que recebeu de herança, Lula guarda uma identificação de raiz com as classes trabalhadoras e a gente pobre. Não extirpou completamente a esquerda de seu governo nem deixou de fazer políticas sociais de relevo, ainda que comprimidas pela torneira seca do Ministério da Fazenda e dentro da moldura apertada da tecnocracia do Banco Central, através do sacrossanto superávit primário. Mas é o suficiente para que a Casa Grande não goste e veja o governo com desconfiança. Além de lhe ser também uma ameaça ao sono tranqüilo, esse permanente cheiro de pobreza e trabalho no paço é uma ofensa à sua visão de cultura, ao seu gosto e ao seu estilo.
3) A política externa. Hoje se trava uma luta na América Latina de dimensões continentais. A comarca andina está tomada por insurreições populares. Da Bolívia, vieram fotos suficientes para molestar o sono da Casa Grande, sobretudo quando entre os camponeses apareceram os capacetes dos mineiros, com seus cartuchos de dinamite a enfrentar o Exército, como em 1952. Governos à esquerda espalham-se pelo continente. É uma questão de classe: neste quadro de confronto, é fundamental para a Casa Grande retomar o controle direto sobre a política externa de metade da América do Sul, isto é, o Brasil e consolidar a sua política de alianças. Além do mais, a nova inflexão da política externa brasileira inverteu o sentido das negociações da Alca, aproximou-se de países emergentes, consolidou-se como uma das lideranças neste grupo, enfrentou os países onde se concentram os donos do mundo. É demais para a Casa Grande, cujo interesse principal é o de subordinar de todo a política externa à garantia de créditos internacionais.
4) Lula ainda tem por trás de si um partido que pode se reerguer das brasas em que está sendo fritado. Esse partido é um patrimônio da esquerda nacional, continental e mundial. No momento, sua direção está acuada pelas acusações e sua militância, aturdida. Mas se esta militância vencer a confusão e trocar a direção do partido, ou pelo menos forçar a troca da direção em que a direção se move, Lula terá reativado o braço esquerdo de sua administração. Assusta as noites da Casa Grande o pesadelo de ter pela frente um partido que, ao invés de ter de ficar explicando sete dias por semana por que não afasta ou se afastam de sua direção os acusados de corrupção enquanto durem as investigações, passe à ofensiva, rearticulando-se com os movimentos sociais e pressionando para que se acentue o lado social do governo Lula e ponha em declínio o seu lado neoliberal.
5) Lula está grudado em Palocci, na Fazenda e no Banco Central, mas Lula não é Palocci. Palocci comprou e revendeu a política econômica dos tecnocratas da Fazenda e do Banco Central. Para a Casa Grande, é ele o presente fiador público dessa política, como matérias na imprensa vem demonstrando, não Lula. Lula é um acidente de percurso, uma pedra no sapato, ainda que o sapato continue andando na mesma direção. Em algum lugar do passado, Lula se declarou favorável à ampliação do Conselho Monetário Nacional. De vez em quando Lula peita a política da Fazenda. Foi assim no acordo com o MST, foi assim no caso do Fundeb. O sonho dourado da Casa Grande é ter uma disputa em 2006 entre Palocci e Alkmin, ou sucedâneo, como FHC ou Serra. Já pensou? Em que lua de Saturno eu vou me refugiar?
É claro que, para a Casa Grande, ainda há muita coisa a acomodar nesse quadro. Como satisfazer o apetite do PFL? Como ajeitar a disputa interna no PSDB? Que pedaço do PMDB atrair para uma nova frente de direita? Como garantir que a metralhadora giratória do deputado Roberto Jefferson só cause estragos no PT e no governo, uma vez que isso de manchetes só darem destaque a essa parte das acusações tem limites? Como impedir que a crise da esquerda jogue água no moinho de algum Berlusconi à brasileira, ou novo Collor, com quem tenha de renegociar suas pretensões? Como conciliar a bandeira que está se firmando, de diminuir drasticamente o número de cargos de confiança, coisa que o governo Lula deveria empalmar como bandeira, quae sera tamen, ainda que tarde, com o tradicional apetite dos partidos que a representam? Como evitar que a bandeira, que também se afirma, do financiamento público de campanhas eleitorais, comprometa seus métodos tradicionais de influenciar a vida partidária? Que concessões fazer ao Condomínio da Classe Média, agitado ou deprimido pelas novas denúncias de corrupção, e comprimido entre a avidez financeira e rentista, e a pressão por dias melhores dos “de baixo”, uma vez que o currículo dos partidos que representam a Casa Grande é assustador?
O Brasil é um país peculiar, porque tem movimentos sociais organizados e muito fortes, apesar da retração que lhes é imposta em tempos de império do mercado: como impedir que eles se aglutinem e façam barreira intransponível à pretensão da Casa Grande de acaudilhar de vez o Estado pela próxima década e por todos os séculos dos séculos amém? Como afastar Lula antes da eleição, se seu prestígio junto ao povo permanecer inalterado apesar das denúncias, sem provocar uma comoção social, pondo os movimentos na rua a defender seu mandato?
Como passar à ofensiva ideológica, uma vez que tudo o que os arautos da Casa Grande na imprensa e fora dela defenderam, baseados no Consenso de Washington, deu errado no mundo inteiro e no Brasil, fazendo naufragar antes do tempo os vinte anos da prometida “era FHC”? Como rearranjar um acordo entre os interesses rentistas, industriais, comerciais, e agronegociais? Como neutralizar a bandeira da reforma agrária sem dar a impressão de que estaria fazendo isso?
Como vêem, a vida na Casa Grande, ainda que mais amena do que no resto do Brasil, também não está fácil. Uma coisa é certa: para ela, nenhuma resposta possível a estas perguntas passa pela presença de Lula no Planalto além de 2006, seja ele símbolo ou líder, ou coisa que o valha. Todas elas exigem a restauração, no paço, dos seus brasões ou varões assinalados, ao invés de alguém que ainda cheira demais a povo.
Resta saber o que a esquerda vai fazer. Se vai enfiar a cabeça no buraco ou se vai de novo olhar o horizonte e recuperar sua estrela-guia. Mas isto é assunto para outra carta, que esta já vai longa na noite que estamos atravessando.
De Flávio Aguiar para a Agência Carta Maior

28 de jun. de 2005

Confronto de Números

Comparação de 100 indicadores vê diferenças entre governos Lula e FHC
Por Maurício Dias

O governo Lula é melhor do que o governo de Fernando Henrique Cardoso? Parece que sim, para 48% da população brasileira, conforme mostrou o Ibope divulgado em 17 de junho. A série histórica da pesquisa – encomendada desde setembro de 2003 pela Confederação Nacional da Indústria – indica que esse resultado positivo não é uma situação ocasional registrada agora, quando Lula atravessa, por sinal, uma tormenta política. A vantagem do governo petista sobre o tucano tem sido freqüente. Já foi maior (55% em setembro de 2003) e menor do que agora (em junho de 2004 baixou para 42%).

Política econômica
Os juros altos prejudicam o desempenho do governo petista na cesta de índices pesquisados
Seria essa uma percepção positiva advinda de falsos milagres atribuídos aos marqueteiros? Afinal, Lula tem usado bastante a publicidade para anunciar alguns de seus feitos administrativos. Parece que não, a julgar pela comparação de 100 indicadores de desempenho governamental medidos nos dois primeiros anos dos dois governos. Nesse confronto direto – Lula vs. FHC – a vitória do petista sobre o tucano é incontestável. Assim, os números sustentam o retrato feito pelas pesquisas.

“Nos 100 indicadores de desempenho, os dois primeiros anos do governo Lula bateram os do primeiro biênio FHC em 56 deles, contra 44 médias de FHC superiores às de Lula”, afirma o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em texto publicado na revista Insight Inteligência, que, por mala direta, circulará a partir da terça-feira 28 para um seleto número de autoridades, políticos e intelectuais.

O objetivo de Wanderley Guilherme dos Santos é o de oferecer um cardápio capaz de atiçar um debate que vá além das suposições feitas até agora. Estabelecida a comparação entre as variações dos dois primeiros anos do governo Lula – a fase que já possui séries completas – com as variações dos dois anos do primeiro e do segundo mandato de FHC, surge o governo que apresenta os melhores resultados. A consolidação dos indicadores em três categorias – “economia”, “produção” e “social” – pode ser o começo de uma reflexão sobre “qual tem sido o melhor governo”. Não havia, até então, um conjunto de informações tão grande como o que foi reunido por ele. Os números permitirão um julgamento mais consistente dos dois governos. Um que já acabou (FHC) e outro ainda em andamento.

Para Wanderley Guilherme, o resultado tira o argumento martelado pelas vozes de oposição: “É falsa a propaganda de que a gestão do atual governo inexiste ou é inepta”, disse ele a CartaCapital.

Wanderley Guilherme não entra na avaliação das políticas executadas, que, em alguns casos, são iguais ou bastante próximas. Ele convoca os “sérios investigadores” a imaginar e a pesquisar as razões pelas quais “o desempenho do primeiro biênio do governo Luiz Inácio Lula da Silva foi largamente superior ao desempenho dos dois mandatos da era FHC nos dois biênios considerados”.

Os resultados da pesquisa Ibope guardam uma relação expressiva com os indicadores. No ranking do instituto, a sondagem de junho mostra que o governo tem maus resultados no capítulo do “combate ao desemprego”. Para o Ibope, “as menções a esse tema, que chegaram a 17% em março, a melhor posição no ranking desde o início do governo, recuaram para 13%”. Há um crescimento na desaprovação quanto ao combate ao desemprego. Ou seja, uma condenação implícita à política de juros altos, considerada pelos especialistas como o principal entrave ao “espetáculo do crescimento”.

Isso está refletido na planilha dos indicadores sociais e pesa contra Lula. A pesquisa confronta indicadores de todo tipo, desde dados de desemprego e concessão de crédito até mesmo consumo de carne. Na rubrica “desemprego aberto”, o governo de Fernando Henrique supera o de Lula nos dois biênios. FHC ganha também no consumo de carne e há um empate no indicador “Operações de crédito do sistema financeiro – Habitação”, considerada a média dos três biênios. O governo tucano foi melhor, igualmente, na manutenção do salário mínimo real.

O governo Lula tem nítida vantagem sobre o “salário real médio – indústria”, no preço do pão francês e no preço do botijão de gás. Assim como vence, na média dos biênios, em relação ao número de famílias assentadas e no custo da cesta básica. Ao final, consideradas as 16 rubricas sociais da planilha, o governo Lula supera o de FHC por 10 a 6 (quadro Melhores Indicadores por Gestão – consolidado).



Na categoria “economia” – em cima de uma política herdada de FHC –, a administração Lula é melhor na balança comercial, em bens de capital, na contribuição da formação bruta de capital fixo para as riquezas do País (o Produto Interno Bruto, PIB). O governo do PT leva vantagem sobre o do PSDB na diminuição da dívida interna e, por conseqüência, na relação da dívida líquida com o PIB. É melhor, na média, o desempenho de Lula na redução da dívida externa. Os tucanos estão melhores na arrecadação de IPI. Lula vence na diminuição dos índices de inflação.

No capítulo da “produção”, a taxa de juros de longo prazo (TJLP) favorece Fernando Henrique Cardoso. Mas a Taxa Selic favorece o petista. O governo FHC foi melhor na “produção física – bebidas” e nas vendas de máquinas agrícolas. Lula ganha na produção de caminhões e em “máquinas e equipamentos”.

No confronto dos dois primeiros anos de Lula com os dois primeiros do segundo biênio de FHC, a vantagem de Lula aumenta para 59 resultados favoráveis, em 100, contra 40 de FHC, sobrando um empate, analisa Wanderley Guilherme. Na média geral, segundo ele, o desempenho dos dois primeiros anos de Lula é superior ao dos dois mandatos de FHC em 64 dos 100 indicadores comparados.

Há duas semanas, em entrevista a CartaCapital , Wanderley Guilherme dos Santos denunciou a possibilidade de um “golpe branco”, pretendido por adversários de Lula, e que seria apoiado pelos tucanos, em particular. Hoje, o cientista político revê parte de sua posição – acha que o ímpeto golpista foi amainado –, mas não deixa de fazer blague, ao considerar o resultado comparativo dos números, a popularidade que Lula ainda mantém e a eleição presidencial de 2006: “Esses números explicam as razões do golpe”.

Clique aqui e confira a tabela completa

21 de jun. de 2005

A história que se repete

Ontem, no Roda Viva, ficou patente que o intuito do Bob Jefferson é o de colar no PT (via Zé Dirceu) de que todos são políticos. Ele acha normal que um empresário que tenha fortalecido o caixa de uma campanha seja beneficiado no governo [obviamente se for o vencedor].

Se ele afirma que o Marinho agia por conta própria (uma ninharia que ele pedira), será que não podemos supor que o Marinho assim agiu porque sabia das negociatas feitas pelo presidente de seu partido? Ou seja, o Marinho sabia que a cúpula pedia dinheiro para beneficiar empresários e, então, ele fez o mesmo.

O RJ reconhece o poder da imprensa para promover linchamentos públicos. Citou a CPI do PC como exemplo. Mesmo com a presidência e relatoria na mão do governo, não conseguiram segurar as denúncias que eram levantadas pela mídia. Em suma, ele quer repetir a história. Mas a história que se repete é uma farsa.

Ele acerta quando diz que sublimou o seu mandato. Porém, quando deverá valer este ato corajoso? Ministérios à parte, qual será a compensação? O afastamento do PT do governo? A quebra do patrimônio ético do PT? A mira é bem direcionada. Se em 89 miraram o PT como criminal por estar ligado à terroristas e seqüestradores, agora tentam colar a mesma pecha de criminal, mas como corruptor. Mas a história que se repete é uma farsa.

O estrago foi feito. Hoje, nas ruas, as pessoas acham que RJ é o homem da vassoura, que com sua verborragia limpará o congresso. Dirceu está queimado como corruptor-mor. E de Lula só falam que está tristonho e desanimado. Pois é, o RJ joga com a imprensa, promove o linchamento e boa parte da mídia o apóia, se não diretamente, lhe fornecendo um bom palanque.

Porém, o Ilimar está de parabéns pelas perguntas sem respostas. O RJ não respondeu uma pergunta dele. Só gostaria de ver na CPI como serão as perguntas.

17 de jun. de 2005

Dioguianas

Vestal
O FH parece que engana quem ao afirmar que não quer que tudo pegue fogo. Como se não estivesse derramando a gasolina há muito...

Impeachment No!
A oposição não quer o impeachment pelo simples fato que se Lula sair agora quem assumirá será o Zé Alencar. Ministro da defesa, contra os banqueiros, contra os EUA e com muita disposição.

Na torcida
Espero que o governo e, por consequência, o PT consigam dar a volta por cima.

Pensamento do dia
Por mais críticas que sejam a situação e as circunstâncias, não aceite o desespero; nas ocasiões em que tudo leva ao medo, não se deve ter medo de nada; quando se está rodeado de perigos, não se deve temer perigo algum; quando já se esgotaram os recursos, deve-se contar com todos os recursos; quando se é surpreendido, deve-se surpreender o próprio inimigo. (Sun Tsé)

16 de jun. de 2005

Veritas

Arquivo X do Golpe
por Bruno de Assis Pessoa - brap@uol.com.br
Como PSDB, Veja & CIA articulam segundo golpe de estado em sete anos. Uma história de assassinatos, corrupção, abuso de menores e roubo.

Como ocorre ciclicamente, inicia-se a fase final de mais um golpe de Estado na América Latina, desta vez destinado a depor o presidente Luís Inácio Lula da Silva, legitimamente eleito pelo povo brasileiro. A exemplo do que ocorreu no Chile, em 1973, os neoliberais da elite pseudo-intelectual, os donos de latifúndios, os empresários da "imprensa" falida e os serviços de inteligência norte-americanos, preparam a derrubada do ex-metalúrgico Lula.

Os métodos do golpe, entretanto, se sofisticaram. Se Allende foi assassinado por projéteis de fogo, Lula está sendo envenenado por uma bem estudada campanha de desqualificação. Curiosamente, os "crimes" que lhe são atribuídos constituem-se em práticas criadas e mantidas por seus próprios inimigos. O grupo de ataque ao governo foi apelidado de Grupo Rio. Não se trata de uma homenagem ao Estado, mas de uma referência à Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, residência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O luxuoso e requintado apartamento foi palco das primeiras reuniões que traçaram a estratégia para o golpe de Estado. Na primeira assembléia, reuniram-se 13 pessoas. Na segunda, foram 19, incluindo um norte-americano que chegou num carro do consulado dos EUA em São Paulo. Depois do encontro, vários seguiram para uma casa de prazeres eróticos na Avenida Bandeirantes, nas imediações do aeroporto de Congonhas.

Em Português trôpego, o tal "gringo" teria falado mais sobre o presidente venezuelano Chavez do que sobre o plano para apear Lula do poder. A frase paradigmática de FHC neste dia teria sido: "É preciso paciência para desequilibrar, aos poucos; arrancar cada dedinho do pé do sátiro". Alguns bateram palmas para aplaudir a frase mal construída, mas que definia o projeto de ação do grupo, que FHC (pretendendo-se galhofeiro) preferiu chamar de "célula Sorbonne". Aliás, quando regado a bom vinho, o ex-presidente adora atribuir apelidos a seus desafetos: José Sarney é o "Morsa", Itamar é o "Costinha" e Ciro Gomes é o "Parasita".

Decidiu-se que tanques e canhões seriam substituídos por papel impresso e telas iluminadas. Poderosos senhores da comunicação foram chamados a integrar o grupo. Nessa época, o setor já vivia uma grave crise, com empresas atoladas em dívidas com bancos, à beira da insolvência. Os que não haviam se arrumado com o novo governo tinham a chance de receber polpudas contribuições de apoiadores externos. Os aliados de primeira hora foram Roberto Civita, da Editora Abril, e a chamada banda podre da família Mesquita, os descendentes de Ruy Mesquita.

O falido e o ladrão doméstico
A idéia era destacar o clã Mesquita para uma luta prévia, destinada a desacreditar a prefeita Marta Suplicy. Os jornais da casa deveriam criar "pautas" para que o resto da imprensa corroesse a popularidade da prefeita. O projeto era fincar a bandeira do Grupo Rio em São Paulo a partir da eleição de José Serra. Civita teria como incumbência fomentar uma ação nacional por meio da revista Veja. Civita e FHC mantêm antiga amizade. O grupo do ex-presidente ajudou a criar o modelo de ideologia que é propagada pela revista, uma colorida e didática cartilha neoliberal. Civita é conhecido por sua língua afiada e descontrolada. Certa vez, numa reunião com executivos do grupo, chamou Pelé de "negrinho do pastoreio". Em outra ocasião, disse que a ex-ministra Erundina era "uma gabirua que fedia a merda".

As histórias de Veja misturam roteiros de filmes sobre a Máfia com bizarrias hard-core. Durante muitos anos, o feitor de Civita em Veja foi o truculento Eduardo Oinegue Faro, uma espécie de Jason Blair brasileiro, capaz de "fazer (ou inventar) qualquer negócio", seja para vender revista ou para destruir uma personalidade pública. Exagerado em suas doses, Oinegue foi transferido para a revista Exame. Há poucos meses, o "padrinho Civita" sofreu ao saber que seu pupilo o estava roubando, exatamente conforme nos roteiros dos filmes sobre a Cosa Nostra. Oinegue Faro estava embolsando mais de um milhão de Reais em negócios inescrupulosos com um lobista. Triste fim para uma história de confiança na "famiglia".

O jornalista que tinha um "pepino" a resolver
O redator-chefe de Veja é outro protagonista de casos escabrosos. Depressivo crônico, tem fixação doentia pelo tema solidão. Vítima de impulsos suicidas, julga-se inferior e não devidamente reconhecido. Parte de sua conduta patológica gerou um livro interessante e revelador: o Antinarciso. Certa manhã, a secretária de Veja recebeu um telefonema insólito de Sabino, que estava num hotel fubango no centro de São Paulo. A dedicada funcionária teve de se desdobrar para encontrar um proctologista do hospital Albert Einstein. Foram três horas de angústia até que o especialista chegasse ao quarto 62. Quem quiser, pode checar. Mais uma eternidade até que o enorme pepino pudesse ser extraído do reto do jornalista.

Assassino pago em ouro
No caso do Grupo Estado, é de se admirar que a família tenha recorrido aos serviços de consultoria de um ex-funcionário para desenvolver seu plano de ação. O escolhido foi Antonio Marcos Pimenta Neves, ex-chefão do jornal O Estado, amante rejeitado que, em 2000, assassinou na ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. Por quê? Porque Pimenta Neves sempre manteve uma relação de amizade com Fernando Henrique Cardoso. Aliás, o crime aconteceu exatamente em Ibiúna, município a 70 quilômetros de São Paulo, onde o ex-presidente tem uma de suas casas de campo.

Violador de crianças
Entre os articuladores políticos do golpe, a liderança da tropa de choque coube ao senador amazonense Arthur Virgílio, um homem que se confessa atraído pelo submundo. Virgílio é um alegre freqüentador de bordéis e tem queda por "carnes novas". O líder do PSDB foi o carrasco da CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Graças a sua dedicada (e desesperada) atuação, o vice-governador do Amazonas, Omar Aziz (PFL), escapou da Justiça.

Os relatórios da comissão mostravam que Aziz era também cliente de uma rede de prostituição envolvendo adolescentes de até 16 anos. Em Manaus, o comparsa de Virgílio participava de um esquema de aliciamento de menores com a conhecida cafetina Cris. Os depoimentos da CPI traziam o depoimento de uma mãe que comprovava a exploração sexual de sua filha de 14 anos. Na época, Virgílio tentou negar que também tivesse presenteado a menina com jóias e dinheiro.

Espancador de mulheres
No Grupo do Rio, a alta intelectualidade está representada também por José Arthur Gianotti, uma espécie de Maquiavel tupinambá, cuja função é fornecer ao amigo FHC pílulas filosóficas que previnam contra eventuais crises de consciência. Gianotti é o homem das éticas relativas, o dourador de fins que justifiquem qualquer meio ignominioso de busca do poder. Homem de estresses e ego inflado, é daqueles que não admitem refutações, características conhecidas de seus "colegas" de Universidade de São Paulo. Anos atrás, durante um debate com a esposa, irritou-se e a espancou. A mulher acabou perdendo parcialmente a audição de um ouvido. De suas histórias escabrosas, esta é a que mais se ouve nos corredores da USP.

O mesmo ocorreu com os casos de suborno contidos na chamada Pasta Rosa. O então Procurador-Geral, Geraldo Brindeiro, recorreu ao jeitinho brasileiro para engavetar as denúncias. Agora, o que mais espanta foi a complacência da imprensa com a compra de votos para a mudança da Constituição que permitiu a reeleição de FHC. João Maia e Ronivon Santiago, Zila Bezerra, Osmir Lima e Chicão Brígido eram apenas a ponta do iceberg de um gigantesco sistema de corrupção gerenciado pelo PSDB. Como sempre, a imprensa diminuiu a importância dos fatos, na mesma medida em que exagera qualquer irregularidade no governo Lula.


Como comprar um jornalista a preço de banana
Em todas essas ações, a CIA deu total apoio a seus parceiros do governo tucano (o governo do Apagão), inclusive com municiamento financeiro. Jornalistas e políticos foram comprados em verdadeiras operações de guerra, numa reedição das PP e Kukage, nas quais as ações jamais são atribuídas ao governo norte-americano, mas a outros grupos ou instituições. Muitas dessas ações são tão escancaradas que não exigem qualquer sigilo, conforme admite o ex-chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, em suas entrevistas a Carta Capital. As sedes do poder, em Brasília, estão grampeadas e os Estados Unidos monitoram o Brasil 24 por dia.

Um bilhete deixado na mesa de reunião do Grupo Rio estampava uma lista de formadores de opinião que deveriam ser convencidos a receber "suporte" do grupo externo. Alguns dos 31 (sobre) nomes eram: Rodrigues, Noblat, Gancia, Carmo, Fibe, Nunes, Alencar, Casoy, Marques, Schwartsman e Cony. A base para as ações de flerte seriam fornecidas pelos senhores Mac-Laughlin , Wilkinson e Rohter.


A farsa de Maurício Marinho
Nem o mais ingênuo dos corruptos recebe pagamentos em sua sala de trabalho, em bolos semelhantes àqueles manuseados por donos de postos de gasolina. Maurício Marinho, que é esperto demais, vendeu-se como ator e não como facilitador. Afinal, a "bola" é pequena demais para quem corre tanto risco.

Depois que a poeira baixar, MM certamente vai desfrutar de seu verdadeiro butim. Quem vê a fita com atenção, percebe que os atores estão mal treinados.


Assassinato de Luis Eduardo Magalhães: o primeiro golpe de Estado do Grupo Rio – 1998
O Grupo Rio não estava oficialmente constituído naquela época, mas seu núcleo duro já existia. À época, estava morrendo o velho "Serjão", gerente de todo o sistema de corrupção e coleta de propinas do PSDB. Simultaneamente, uma nova estrela despontava no firmamento político: Luís Eduardo Magalhães. Segundo os analistas do governo, LEM tendia a se tornar um candidato imbatível nas eleições presidenciais. Além disso, o deputado confessara a amigos que no momento certo desbarataria a quadrilha que disseminava a corrupção por Brasília.

Morto "Serjão", temeu-se que LEM desencadeasse uma pronta ação de limpeza no legislativo. Nesse momento, a articulação entre o governo e seus parceiros externos mostrou-se eficaz. A "inoculação" teria ocorrido, morbidamente, durante os serviços fúnebres do corruptor-mor. Os requintes da operação incluíram a prescrição de uma dose que permitisse a morte num 21 de Abril. A sofisticação simbólica tinha um motivo: uma assinatura sinistra. O serviço de assassinato encomendado a Newton Cruz por Maluf, em 1985, fora repassado a outro grupo. Tancredo Neves, assassinado, viria a morrer também num 21 de abril.

Opinião
"No governo tucano, a denúncia do mensalão não teria provocado grandes marés". O fantasma dos militares não existe, mas nas últimas colunas que escreve para o jornal Valor Econômico, publicadas às quintas-feiras, ele farejou um "golpe branco" contra Lula no movimento da oposição e, principalmente, do PSDB. Pró-reitor da Universidade Candido Mendes, Wanderley Guilherme dos Santos chegou a ironizar os tucanos, resgatando a imagem de Carlos Lacerda, um político que andava sempre com uma proposta de golpe na cabeça: "O lacerdismo mudou-se para São Paulo", escreveu, após pensar sobre a frase do ex-presidente Fernando Henrique de que havia uma "crise institucional" no País.

Nesta entrevista a CartaCapital, ele explica a crise pela missão político-eleitoral dos tucanos de algemar o governo para enfraquecer a candidatura Lula em 2006. Diz que, para alcançar esse objetivo, o PSDB chegou a pensar em um "golpe branco", o impeachment, a partir das denúncias de corrupção. Mas recuou. Acredita que o partido não promoverá a iniciativa, mas, se ela surgir, apoiará. Ou seja, se o cavalo passar arriado, o ex-presidente Fernando Henrique montaria. CartaCapital: Há uma crise política grave neste momento? Wanderley Guilherme dos Santos: A palavra crise entrou no vocabulário diário da política desde janeiro de 2003. Falou-se de crise todos os dias. Agora, sim, há uma crise política. É uma crise importante. Mas é uma crise normal em sistemas democráticos funcionando, operando. Quer dizer, democracia com uma oposição musculosa como não havia, por exemplo, no governo Fernando Henrique. (leia o post abaixo com a entrevista completa de Wanderley Guilherme dos Santos)

17 de ago. de 2004

Expo Brasil-China

Nossa grande mídia mostra porque é tendenciosa, estamos a pouco tempo de um grandíssimo evento internacional, uma Expo Brasil-China, onde vamos mostrar o que o Brasil tem a oferecer neste novo milênio ao enorme mercado consumidor chinês. E a última notícia sobre este evento é datada de 12 de julho de 2004.

Se fosse no governo FHC, seriam cadernos especiais e tudo o mais. O problema é que a ave de bicos longos e de negra plumagem ficou alvoroçada com a repercussão internacional da 'real politik' tupiniquim atual. E como a a mídia brasileira é tendenciosa, jogou este evento para escanteio. Vão falar sobre as Olimpíadas e depois vão minimizar a expo. Tudo para ver se continuam a meter o malho no governo e fazer com que não se dê tão bem nas eleições que se avizinham.

Expo Brasil-China


Entre os dias 31 de agosto a 9 de setembro de 2004 ocorre a expo Brasil-China, um evento destinado a expandir o conhecimento sobre nosso País e seus mercados, gerar oportunidades de negócios e investimentos, além de incentivar parcerias estratégicas entre Brasil e China, especialmente nos seguintes setores: agropecuário, construção civil, moveleiro, mineração, têxtil e turismo.

Entre 1980 e 2003, a China deu um salto. Seu PIB subiu de 240 bilhões para 1,3 trilhão de dólares. Seu comércio externo pulou de 40 para 800 bilhões de dólares. Sua população de 1,2 bilhão de pobres passou a “enriquecer em ondas”. 500 milhões ainda são pobres, 500 milhões atingiram o nível de classe média e 250 milhões já tem poder aquisitivo de classe média alta. O plano da China: chegar em 2020 com 1,4 bilhão no piso de classe média alta (padrão belga de vida).Desse modo, o Brasil está diante de um país cujo mercado, nos próximos 20 a 30 anos, apresentará forte demanda de produtos e capitais, e forte oferta de equipamentos, tecnologias e capitais. O comércio Brasil – China já saltou de 2 para 8 bilhões de dólares, mas ainda há um vasto campo de oportunidades para novos saltos.

Saiba mais sobre o evento