5 de set. de 2002

Arrocha Brasil

Este podia ser o mote de fim de governo.

Simplesmente, o governo MENTIU sobre o superávit primário. Não serão 3,75, mas sim 3,88.

O pior é que o Malan informou que todos os candidatos souberam disso após a reunião com FH.

Este é um governo mentiroso e a grande mídia vai tratar com superficialidade para não tirar votos do tucaninho que tenta alçar vôo.

Espero que Lula venha a público afirmar que Malan mentiu sobre afirmar que ele já sabia. Porquê se ele soube disso devia explicar à população sobre o engodo que estavão empurrando para nós.

A desculpa de Malan para aumentar o arrocho foi por causa do dólar. O que é uma mentira, visto que o dólar estava mais elevado quando fecharam o acordo. A verdade que nunca foi preciso ter uma explicação para o FMI aroochar em nós. E sem creminho...

Se Lula sabia, todos sabiam.

Como diria o funk: 'tá dominado, tá tudo dominado'

Esperarei os próximos capítulos.
Tempo de duração

Há muito que venho alardeando sobre a enxurrada de votos nulos e em brancos nestas eleições. São seis votos a serem computados, contabilizando que um cidadão comum leve, em média, trinta segundos por votos, o voto levará três minutos por eleitor.

São quatrocentos e pouco eleitores por zona, multiplicado este número pelo tempo médio de votação, chegaremos a um tempo maior do que o destinado à votação. As zonas abrem às 7h da manhã e encerram às 17h, totalizando 10 horas. Pelos meus cálculos esta eleição precisaria ter as zonas abertas por 21 horas.

Isso sem contar com a dificuldade de repetir as operações de voto, o que levará muitos eleitores a anular o seu pleito.
Perigos da despolitização

O Brasil perdeu a chance real de politizar a sua sociedade em 1989 quando a eleição para presidente foi decidida pela mídia e não por debates políticos.

Esta característica despolitizante é fruto da retórica econômica do sistema em que vivemos. E nada mais prejudicial quanto essa pouca atenção aos fatos políticos de nossa nação.

Porém, esta despolitização foi bem capitalizada pelo governo, que agindo conforme vontades imperialistas de outros países, pode alterar a nossa realidade. Os movimentos populares na era FH foram ridicularizados pela mídia e surrados pela polícia.

Perdeu-se aquele movimento democrático que toda a população participava e não tô falando simplesmente de abraçar a Lagoa. É de algo mais profundo. A partir do Plano Cruzado ficou uma mágoa, mas o brasileiro ainda tinha esperança em votar para presiente e alterar o curso da História. Toda uma geração queria demais aquele direito que havia sido usurpado pela ditadura.

O pacto social no Brasil nunca mais foi tentado e os desmandos, tanto do executivo quanto do legislativo, afastou as pessoas comuns da política. Porém, a crise energética mostrou um cidadão brasileiro coeso em torno dos deveres. Eles sabem que se dependesse da população o Brasil seria o país do presente, mas não sabem que são eles que colocam os po´liticos em seus lugares de mando.

O ser poítico tupiniquim foi privatizado e só iremos perceber a tragédia desta ação quando for tarde demais.

3 de set. de 2002

Fim da Liberdade

Pois é?

Não tinha falado?

Os coments que haviam no site do Piro Comes foram retirados do ar. Todos. Não há mais nem a opção de se postar.

Pois é?

Não tinha falado?

É só ler o que tinha escrito antes.

Democracia participativa no dos outros é uma beleza...

2 de set. de 2002

Internacional Socialista

É só clicar na figura

1 de set. de 2002

À Bombordo!
Não prego que devemos ser radicais com os EUA, mas creio que devemos ser donos de nossas próprias vontades, as privatizações estão sendo rediscutidas na Inglaterra cujo regime thatcherista foi precedente nas privatizações mundiais. Hoje eles (os ingleses) dizem que aprenderam que nem tudo é bom para a privatização. Os radicais do livre mercado são contrários a esse pensar porque abalaria um dos pilares do liberalismo: a ameaça de falência.

OK, então privatizemos serviços públicos que funcionam, para enfrentar uma concorrência desleal e que nenhum compromisso terá com aquela sociedade se a falência se pronunciar. Antes esperava-se até cinco anos por telefones, hoje se têm na hora, mas não se pode pagar pelo caro serviço.

Ainda há tempo para corrigir a rota e desviar do iceberg ao qual este titanic se dirige, somos um país grandioso, e no caso de adernar, não haverá botes para todos.
Um dia sombrio
Começa setembro e o quadro eleitoral continua indefinido. Serra alardeia que chegará ao segundo turno, Ciro diz que esse lugar é dele e o Lula continua invicto com seus trinta e pouco porcentos.

Sento no bar e encontro Boi, um esquerdista da velha guarda, ele se diz maravilhado com a perspectiva, clara, de vitória do PT. Suas razões partem do fato de que o segundo turno se dará com Lula e Ciro e que o governo apoiará o Lula. A explicação parte da leitura de que se o jornal O Globo está a bater tanto no Ciro é porque ele não é a peça a ser escolhida no segundo turno pelos poderosos do Brasil.

Seu pensamento é incompleto porque esquece o fato de que a disputa está sendo travada para saber quem chegará ao segundo turno contra o Lula. Quando começar esta etapa é que saberemos as reais intenções dos poderosos: se apoiarão o Grande Mal (apelido dado pelo Washington Times para o Lula) ou a Grande Incógnita, o Sr. Ciro Gomes, que ora alterna o poder entre os aliados, indo do PPS ao PFL e parando no PDT. Ainda creio que num segundo turno entre estes dois, o governo (PSDB) se porá num `em cima do muro` como no da eleição de 1989 e que, intimamente, favorecerá o Sr. Ciro e PFL a reboque.

Saio do bar preocupado e no caminho para casa vejo a coluna de Márcio Moreira Alves sobre os `perigos dessa vida`. Nele ele alerta para os delírios que a extrema-direita alimenta sobre o Lula: a de que sua ascensão desenharia uma grande conspiração internacional contra os EUA, com Estados Nacionais que patrocinam os terroristas e de regimes radicais.

Aquele texto me lembrou uma aula de `Teoria Política` onde o professor vomita para a turma que os regimes totalitaristas são terroristas, eu interpelei, perguntando se aquela não era uma declaração totalitária. Quase fui agredido pelos alunos, onde um mais exaltado respondeu que o regime bolchevique, o stalinismo, Fidel e Hitler eram todos totalitários e terroristas.

É essa a pérola do pensamento único, todos que não são nossos amigos, são inimigos. Ora, quer coisa mais totalitária que este tipo de pensar? Hoje vendemos às crianças e jovens que o capitalismo é o único regime que dá certo, que todos os outros naufragaram. Vendemos que esse regime dá certo, mesmo com 2/3 da população mundial sendo pobre. Que a distribuição da riqueza se dá de forma tão desigual a ponto de que menos de 10% dos homens deste mundo possuam mais de 70% das riquezas do globo terrestre.

Não se fala de que o valor do dinheiro hoje é muito mais depreciado, de que é um valor especulativo e que por ser especulativo tenderá a estourar, e a conta restará aos mais pobres, que com menos recursos não sobreviverão à escassez de recursos que virá. Primeiro cortam os supérfluos: roupas e eletrodomésticos, depois cortarão luz, telefone e por fim a comida. E lá se vai um país.

Enfim, chego em casa. Descansarei no meu sacro lugar. Fico à penumbra, a taxa é muito elevada. Toca o telefone, é Adriano, um sombrio governista. Vocifera aos meus ouvidos a situação de onde mora. Clima de guerra, a sociedade acuada e um governo fraco no Rio. E manda os petardos contra a Governadora. O engraçado que na época que era o Garotinho, a violência era a mesma, mesma não, pois agora acentuara-se por causa das eleições que se aproximam. Existe um componente do medo utilizado desde os arrastões, que repercute até hoje na `nata` da sociedade carioca que vêem na Benedita a expressão do que seria um governo do povo e influindo pesadamente no cenário eleitoral da dita cidade mais bela.

Tanto que O Globo explora isso como matéria e fala da `cidade proibida` que existe, de locais não mais acessados por ditos bons cidadãos devido a alta periculosidade destes logradouros. Mas, do jeito que é escrito, parece que essa violência por qual sofre o carioca é coisa de um tempo distante que pertenceu a um governo do povo e que parece querer voltar.

A verdade que diante do quadro político no Rio percebemos que os tempos serão sombrios, quase uma idade média. A plataforma que elegerá alguns dos representantes será a da violência para conter a própria violência, do medo generalizado sendo imposto de cima para baixo.

Desligo o telefone. E ainda são quatro da tarde, o quê mais falta?