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21 de out. de 2007

Mídia e Controle Social

O diagrama traçado Doug Rushkoff é bem interessante e ilustra bastante esta liberdade que nós blogueiros achamos ter. Não adianta, estamos sempre atrás. A não ser que rompessemos a ordem.
Veja o estudo

6 de out. de 2007

Modelos de Choque

Quando vemos a 'inteligenza midiática' (?) citar que os governos do Rio e do Espiríto Santos empregam sistemas de gestão sintonizados com as mais modernas técnicas administrativas existentes do mundo devemos pensar em quê?

A recente crise nos EUA só não foi pior pelos números de empregados no governo. Ou seja, o país que é modelo para a maioria dos brasileiros, o louvor do liberalismo, a esfínge do estado mínimo, se safou de entrar (ao menos em números) na recessão devido aos empregados gerados pelo estado. Se formos comparar todas as desigualdades entre nossos países, perceberemos que o aumento do estado, no caso brasileiro, é mais do que justificado.

A desigualdade é chocante. O modelo de gestão também. Com uma economia robusta, forte mercado interno, os EUA possuem uma workclass cada vez mais ativa em protestos. A falência do sistema de saúde, a crise imobiliária, abaixa de oferta de empregos na iniciativa privada mostra que o estado precisa ser atuante para garantir o bem-estar de uma nação. Ainda agora, acabaram de conceder créditos de U$ 20 bi para estudantes e conceder perdão para dívidas de servidores públicos.

Esta é a diferença, de como diria os palácios de mídia, de um povo com o mínimo de sentimento cívico. Um povo, cuja sociedade é atuante e fiscalizadora. Como os países nórdicos, onde possuem um fundo para gerações futuras, que pressionam grandes como a Wal-Mart a reverem as condições de seguridade do trabalho. E conseguem. Enfim, este é o modelo que deveríamos enxergar. Mas a classe média brasileira só viaja para os EUA. E então ... já viu né.

10 de mai. de 2007

Fórum Nacional de TV's Públicas

De 8 a 11 de maio acontece o Fórum Nacional de TV's Públicas para discutir, entre outros aspectos, como será a passagem de tecnologia no campo de mídia, a função de um tv pública, missão, modelo de negócio e mais.

É bem importante esta iniciativa, principalmente porque até o fim deste ano a tv digital estará implantada em São Paulo, no fim de 2008 no Rio e Espiríto Santo. A proposta é que até 2015 todo o Brasil esteja coberto por este sinal.

Muitas mudanças ocorrerão, mas uma das mais significativas é a de que, pela primeira vez, as tv's públicas vão poder enfrentar os tubarões da mídia de frente, com armas parecidas e muito poder de fogo.

O espaço virtual do fórum é bem interessante e vale a pena passar por lá. Eu fiz uma pergunta: Já ouvimos sobre a televisão na internet, mas e de internet na televisão?

Clique aqui para acessar o fórum

9 de nov. de 2006

Punição ao Emir Sader

Tenebroso. Nada mais a dizer a respeito da condenação do professor Emir Sader pelo juiz Rodrigo César Muller Valente do que isso.

Que tempo são esses em que repórteres são chamados depor na Polícia Federal, dizem que foram pressionados e toda a grande mídia faz alarde. E um professor escreve palavras duras [bem contudentes] sobre uma pessoa conhecidamente como de difícil trato. O Emir está respondendo pelo que escreveu por que assumiu o ônus de tê-lo escrito. Enquanto o Senador Bornhausen nega que tenha usado a palavra 'raça' ao se referir aos petistas como desrespeitosa.

O pior é que na setença do juiz (na verdade, juiz-auxiliar) avaliou que Sader cometeu crime ao tratar Bornhausen como "racista". Ora, a frase do senador não queria dizer outra coisa.
“Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.
Então, diante desta frase que causou estupefação em todos moralmente íntegros, vem a resposta do mesmo sobre a, agora, desdita.
“Quanto a ter usado a palavra ‘raça’ – não como designação preconceituosa de etnia, ideologia, religião, caracteres, mas como camarilha, quadrilha, grupo localizado –, tão logo alguns falsos intelectuais surgiram, incriminando-me, apareceram preciosos testemunhos a meu favor. Confesso que falei "dessa raça" espontaneamente, sem premeditação, usando meu modesto universo vocabular, a linguagem coloquial brasileira com que me expresso, embora meus adversários tentem me isolar numa aristocracia fantasiosa”.
Pois bem, está é a diferença, o Emir escreveu e por ser um professor reconhece o valor de um documento por ele escrito ou de uma frase proferida. Já o senador, do alto de seu conhecimento do parlamento brasileiro sabe que a frase dita hoje pode ser desmentida sem maiores contratempos. Principalmente se a grande mídia lhe for favorável.

S evocê é daqueles que não concordam com esta setença absurda, clique neste link e assine uma petição movida contra esta arbitrariedade . EU, ao assinar, fui o nº 9149.

Saiba mais:

Leia o artigo do professor que o levou à condenação

11 de out. de 2006

Fugindo das responsabilidades





O vídeo acima foi uma reportagem realizada pela TV Australiana, intitulada “Mean Streets of São Paulo”, do canal SBS da Austrália, Programa Dateline, a respeito dos ataques do PCC e consequentemente do extermínio que se seguiu após os mesmos. Reparem na postura arrogante e prepotente do Alckmin, abandonando a reportagem no meio da entrevista. Teríamos algumas perguntas para fazer ao mesmo:

1. Por que, mostrando um constrangimento muito grande, encerrou a entrevista pela metade, e ainda reclamou que se soubesse do teor não a teria concedido? Onde está a educação, a ética? E por que não a teria concedido se soubesse do seu teor? QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME!!!!!!!

2. Alckmin vem acusando o governo federal pelos ataques do PCC, afirmando que este não investiu em segurança pública. Por que não fez essa acusação nesta entrevista? Não seria a oportunidade de mostrar ao exterior quem é o Lula, um presidente sem-caráter, como ele afirma? Por que não tocou neste assunto? Esquecimento?

3. Alckmin não sabia de nada?????....quis jogar a responsabilidade para o governo do estado, o qual havia deixado um mês antes? Mas que cara safado!!!! Como a própria repórter disse, ele estava há 12 anos no governo do estado, 6 anos como vice e 6 anos com governador E NÃO SABIA DE NADA? Não soube que o PCC fez uma mega-rebelião em 2001? Que promoveu ataques em 2003 e final de 2005, todos durante o seu governo? NÃO SABIA DE NADA????? AONDE O SENHOR ESTEVE DURANTE TODO ESSE TEMPO????

Fonte: http://ptlhando.blogspot.com/

12 de jul. de 2005

Imprensa que eles peidam

o título é uma alusão ao bloco de carnaval 'imprensa que eu gamo'

Num país sério essas coisas não ocorreriam. O Globo Online estampa que as 'Denúncias não sujam a imagem de Lula', pôrra, todo mundo sabe a diferença entre sujar e manchar, graus distintos. É uma imprensa, em sua maioria, covarde. Se esconde atrás do véu da liberdade, mas quando é assunto favorável aos seus editores mudam logo o tom.

Me lembra aquelezinho do 'Merdal' Pereira que tomou uma corrida do Lessa. Também escrevia bobagem pelo simples fato de querer desancar os outros, no caso o presidente do BNDES numa campanha pessoal. Esta imprensa não pode continuar assim, mas vai. Este mesmo Merval escreveu que inchaço de deputados da base governista não ocorreu no governo anterior. Como?! Hã?! O PSDB se elegeu com uns 30 ou 40 e logo depois já passava dos 60/70.

E a Dora, nossa senhora, é horripilante escutá-la nas ondas do rádio. Lê-la eu já havia desistido. E a filha dela, a Helena Chagas, deveríamos sermos vacinados com doenças como essa...

Sinto pelos poucos bons jornalistas, Tereza Cruvinel é um deles, são ilhas deética comportamental nesta excrecência geral.

Por isso que eu falo(escrevo), a gente lê os jornais, internets, tvs e rádios e é tudo pasteurizado. Stálin ficaria orgulhoso... Plim-plim.

20 de out. de 2004

Mídia insiste em beneficiar Serra

MÍDIA INSISTE EM BENEFICIAR SERRA, DIZ PESQUISA

A pesquisa divulgada hoje (15) pelo Observatório Brasileiro de Mídia (
www.observatoriodemidia.org.br) sobre a cobertura das eleições municipais de São Paulo mostra que a grande imprensa continua favorecendo a candidatura de José Serra (PSDB). O estudo é referente às matérias publicadas entre os dia 4 e 10 de outubro e foi realizado por uma equipe de alunos de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP, sob orientação do professor José Coelho Sobrinho. Foram analisados os cinco maiores jornais paulistanos: Agora São Paulo, Diário de S.Paulo, Jornal da Tarde, Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.
De acordo com o morfômetro - critério desenvolvido pelos pesquisadores da USP para aferição qualitativa das matérias sobre as eleições –, entre as matérias que citam o José Serra, 14,06% são negativas, 44,86% neutras e 41,09% positivas. Já entre as reportagens sobre a candidata Marta Suplicy (PT) 40,36% são negativas, 44,40% neutras e 15,24% positivas.
O estudo mostra que o Estado de S.Paulo publicou o maior número de matérias negativas sobre a candidata petista: 66% das citações de Marta foram negativas. No JT, o índice foi de 38% e, na Folha, 34%. O índice mais baixo se deu no Diário de São Paulo (20%).
Em relação às matérias positivas sobre Marta, o índice ficou entre 10% e 15% em todos os jornais analisados. Quanto à Serra, o índice variou de 25% (Agora) a 40% (Folha).
A Folha foi também o jornal que publicou o maior volume de matérias neutras sobre os dois candidatos: 85,13% sobre a “candidata Marta” e 69,63% a respeito de Serra.
Além das matérias sobre os dois candidatos, a pesquisa analisa também as referências diretas ou indiretas à administração da prefeita Marta. Por exemplo, a partir de uma reportagem sobre a dificuldade na reparação de buracos no asfalto do município foi gerado um registro para a Marta “prefeita”. Assim, “Marta Prefeita” obteve 60,05% de matérias negativas,contra 20,61% de neutras e 19,34% de positivas.
O morfômetro é o diferencial dos levantamentos realizados pelo Observatório Brasileiro de Mídia em relação a outros estudos semelhantes. O critério funciona da seguinte maneira: além da tradicional classificação entre as categorias positiva, neutra e negativa, o trabalho traz uma escala de valores. O recurso permite que seja atribuída uma nota de 2 a 10 a cada matéria, de acordo com sua localização na página e com os elementos gráficos, como foto e outros recursos gráficos, como trechos em destaque.
Os pesquisadores também trabalharam com números absolutos. Os resultados dentro desse critério de avaliação mostram que a “candidata Marta” somou 185 matérias negativas e a “prefeita”, 67. Enquanto a respeito de José Serra foram 55 desfavoráveis. Em relação às positivas os números foram: 67 referentes à “Marta candidata”; 22 à “Marta prefeita” e 161 a José Serra. Proporcionalmente, José Serra foi o candidato que mais se beneficiou com as matérias neutras: 185 matérias citam o candidato sem dar conotação positiva ou negativa. Enquanto “Marta candidata” obteve 210 citações neutras e “Marta prefeita”, 24.
A coordenação geral do estudo é do jornalista Carlos Carolino. Os resultados completos que mostram a cobertura de cada candidato por veículo pesquisado desde o dia 26 de setembro estão disponíveis na página do Observatório Brasileiro de Mídia:
www.observatoriodemidia.org.br

13 de out. de 2004

ANCINAV e o retorno ao debate

ANCINAV e o retorno ao debate
Ivo Lucchesi(*)

Dentre o amplo espectro de angulações críticas a respeito do anteprojeto encaminhado pelo Ministério da Cultura, propondo a criação da ANCINAV, a despeito do muito que contra ou a favor tenha sido formulado, aspectos outros merecem registro, afora questões já pontuadas em artigos anteriores. Algumas das questões a envolverem a proposição da ANCINAV, ainda fora das análises figurantes em dezenas de artigos, podem ser direcionadas para dois pontos: 1) estratégia governamental; 2) redefinição da política cultural.

A estratégia governamental

Qualquer avaliação desapaixonada e, até onde possível, isenta dá conta de que duas possibilidades explicam a atuação do presente governo, desde a posse:
1) não dispunha de nenhum projeto governamental;
2) o projeto de que dispunha não era viável para execução. Apenas servia como alavanca para a vitória nas urnas. A partir daí, o desafio ficou posto. Como governar sem projeto, dando a impressão de estar transformando tudo? E mais: como dar visibilidade a esse jogo das aparências? Aí entra em cena a parceria entre mídia e governo.

Nenhuma alteração na lógica econômica foi promovida. Pelo contrário, todo o empenho esteve direcionado para a radicalização do modelo já encontrado. Quanto aos demais setores, multiplicados em ministérios e com verbas engessadas, coube implementar em todos conjunto de medidas reformistas, mantendo o noticiário com pautas recheadas. Assim vieram os projetos para a previdência, área tributária, planos assistencialistas, regulamentações para profissões (dentro do figurino está o Conselho Federal de Jornalismo), discussão sobre liberação para plantio de transgênicos, além dos inúmeros episódios em âmbito internacional e doméstico, a exemplo do pedido de expulsão do jornalista norte-americano e o novo avião presidencial.

A mídia, sob esse prisma, não tem do que se queixar: desde janeiro de 2003, há farta oferta de pautas para todos os gostos. E assim tem sido. Passadas as eleições, virão outras mais, tais como: as reformas trabalhista, judiciária e política, garantindo previamente mais um ano pautado, além de assegurar, como imagem pública, um governo que ininterruptamente "mostra serviço".

Na estratégia pensada, não podia ficar ausente justamente a área encarregada de dar visibilidade: o setor midiático. Na consecução da lógica aqui delineada, a um só tempo vieram à tona – nitidamente com propósitos radicalmente distintos – o projeto para a formação do Conselho Federal de Jornalismo, repleto de artigos que sabidamente produziriam acaloradas discussões no palco da própria mídia e, na outra ponta, num plano de bastante seriedade e com indiscutível procedimento democrático, o debate de caráter estrutural, voltado para a reconfiguração da cultura como geradora de políticas e de receitas, tópico a ser abordado a seguir.

Redefinição da política cultural

Como já foi salientado, o anteprojeto da ANCINAV, este sim, desde a sua formulação original, posto na arena pública da discussão, provocou, diferentemente de governos anteriores, o rumor necessário a uma área que, embora estrategicamente represente para qualquer nação o calçamento de sua identidade, sempre esteve à sombra de outros interesses, figurando na maioria das vezes como mero adorno no conjunto de um governo. Primeiramente, há de se relembrar que a ANCINAV está no bojo de uma discussão mais ampla que inclui, no Congresso, a tramitação do "Plano Nacional de Cultura" ao qual já, no artigo anterior ["A perversão da lógica quantitativa"], foi feita alusão.

É óbvio que, na proposição do Ministério da Cultura, há artigos geradores de intensas controvérsias, entre as quais os percentuais fixados para a taxação de recolhimentos de receitas. Ninguém será ingênuo em não perceber que os percentuais firmados atendem a duas estratégias:
1) função apelativa: produzir nos segmentos atingidos a reação necessária para o envolvimento com o tema;
2) manobra de negociação: quem pretende algum ganho não declara a priori quanto aceita. Para tanto, sempre parte de um patamar acima, a fim de chegar ao propósito real. Isto é princípio elementar que, em linguagem corrente, equivale à expressão "poder de barganha".

A grande questão, porém, reside em outras esferas: pela primeira vez, um órgão governamental gera certo desconforto em setores habituados a ditarem modelos, livres de maiores ou menores admoestações. O complexo midiático reinante no país, ao longo de décadas, se torna alvo de injunções externas que sempre estiveram sob controle absoluto de propósitos internos. Esta é a face política da questão.

Que existe profundo incômodo por parte do setor organizado da mídia audiovisual, quanto das empresas de comunicação em geral, não parece segredo. Afinal, que motivações outras moveram, por exemplo, o jornal O Globo, para, em sua edição de quarta-feira (29/9) dedicar página inteira a uma entrevista com João Eustáquio da Silveira, cientista político e Diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine), destacando a seguinte declaração-manchete: "Projeto está eivado de dispositivos autoritários, quando não obscuros"?

O tom panfletário da declaração não esconde, desde a retomada da democracia, o já velho expediente que é sempre invocado, quando alguma voz pretende estabelecer limites seja para o que for. O fato é recorrente em todas as situações. A impressão que fica é a de que, no Brasil, pós-ditadura, qualquer esboço de regramento significa reavivar o fantasma da repressão e da censura.

Diferentemente do teor de alguns artigos constantes na proposição do CFJ, nenhum artigo do anteprojeto da ANCINAV pode ser alvo de críticas quanto à sua possível face autoritária, exatamente em razão de o processo a constituir o anteprojeto respeitou, em todos os estágios, as regras que sustentam a prática democrática, além de tudo haver sido (e estar sendo) amplamente divulgado e debatido em inúmeros fóruns. Em nada, pois, se iguala à prática utilizada para a tramitação sinuosa do projeto relativo ao CFJ, conteúdo do qual a sociedade apenas foi informada, quando o dispositivo já estava nas mãos do presidente da República, para o devido envio ao Congresso. Pelo menos, ficou a suspeita de que tudo pudesse ter sido aprovado pelo mecanismo, não pouco freqüente, da aprovação por acordo entre lideranças, instrumento, aliás, nada democrático e que precisaria ser erradicado.

A título de ilustração quanto ao instrumento congressual citado no parágrafo anterior, cabe relatar que, há pouco tempo, deputados denunciaram que, por acordo de líderes, sem nenhuma discussão com as respectivas bancadas, seria referendado pelo governo brasileiro o "Plano Quadro", acordo internacional para fixação de políticas restritivas ao plantio de tabaco no mundo. A denúncia de alguns deputados impediu a consumação do ato, o que obrigou o envio da matéria para discussão no Congresso. Curiosamente, a mídia também sobre tal questão silenciou.

Apenas para outra ilustração, vale consignar que inúmeros pontos alinhavados pelo anteprojeto ANCINAV já eram preocupação de Pierre Bourdieu, teórico franco-argelino e falecido em janeiro de 2002 – fato que mereceu de nós um artigo – , quando, em 17/10/1999, publicou, no jornal Libération a íntegra de uma conferência por ele ministrada num evento ao qual se faziam presentes representantes das maiores corporações de mídia no mundo. Na época, o suplemento Mais! (da edição dominical da Folha de S.Paulo) publicou sob o título "Pierre Bourdieu desafia a mídia internacional".

Os 19 parágrafos da mencionada publicação fornecem um rentável mapeamento acerca dos perigos que derivam da fusão entre tecnologia, capital e mídia. A construção midiática (impressa e eletrônica) lida com substância que divulga criação artística, geração de idéias, recortes do cotidiano e entretenimento. Conseqüentemente, não pode, em nome do lucro, ignorar as duas primeiras e restringir-se às duas últimas, com o agravante de ainda, em nome de "entretenimento", expor baixarias, e conteúdos deformantes. Num dos trechos do texto citado, Bourdieu sentencia:

"Os que fazem o novo mundo da comunicação e são feitos por ele gostam de citar o problema da velocidade, do fluxo de informações e de transações que se torna cada vez mais rápido e, sem dúvida, eles têm parcialmente razão, quando pensam na circulação da informação e na rotatividade dos produtos. Dito isso, a lógica da velocidade e do lucro que se unem na busca do lucro máximo a curto prazo (com as pesquisas de audiência para a televisão, o sucesso das vendas para o livro e, evidentemente, o jornal, o número de anos para o filme) parecem-me incompatíveis com a idéia de cultura."


Enfim, o anteprojeto, sob a liderança propositiva do MinC, permite que o paradigma cultural brasileiro seja posto na berlinda. Está na hora de pôr cartas abertas sobre a mesa. O que significa, afinal, no âmbito das emissoras de televisão, "concessão pública". A prática demonstra o contrário: elas são geridas como patrimônio empresarial.

Por que a maior parte da sociedade brasileira não tem acesso a emissoras como TV Câmara e TV Senado? Será que somente assinantes têm o direito de acompanhar o desempenho de seus representantes? Se, porventura, o anteprojeto da ANCINAV não contempla essa questão, por outro lado, o debate aberto cria espaços para tal, a exemplo de outras tantas questões que não haverão de faltar, considerando o degenerado perfil cultural em vigência e que encontra, no comportamento do sistema midiático, um de seus mais fortes aliados.

(*) Ensaísta, doutor em Teoria Literária pela UFRJ, professor titular do curso de Comunicação das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro

17 de ago. de 2004

Expo Brasil-China

Nossa grande mídia mostra porque é tendenciosa, estamos a pouco tempo de um grandíssimo evento internacional, uma Expo Brasil-China, onde vamos mostrar o que o Brasil tem a oferecer neste novo milênio ao enorme mercado consumidor chinês. E a última notícia sobre este evento é datada de 12 de julho de 2004.

Se fosse no governo FHC, seriam cadernos especiais e tudo o mais. O problema é que a ave de bicos longos e de negra plumagem ficou alvoroçada com a repercussão internacional da 'real politik' tupiniquim atual. E como a a mídia brasileira é tendenciosa, jogou este evento para escanteio. Vão falar sobre as Olimpíadas e depois vão minimizar a expo. Tudo para ver se continuam a meter o malho no governo e fazer com que não se dê tão bem nas eleições que se avizinham.

Expo Brasil-China


Entre os dias 31 de agosto a 9 de setembro de 2004 ocorre a expo Brasil-China, um evento destinado a expandir o conhecimento sobre nosso País e seus mercados, gerar oportunidades de negócios e investimentos, além de incentivar parcerias estratégicas entre Brasil e China, especialmente nos seguintes setores: agropecuário, construção civil, moveleiro, mineração, têxtil e turismo.

Entre 1980 e 2003, a China deu um salto. Seu PIB subiu de 240 bilhões para 1,3 trilhão de dólares. Seu comércio externo pulou de 40 para 800 bilhões de dólares. Sua população de 1,2 bilhão de pobres passou a “enriquecer em ondas”. 500 milhões ainda são pobres, 500 milhões atingiram o nível de classe média e 250 milhões já tem poder aquisitivo de classe média alta. O plano da China: chegar em 2020 com 1,4 bilhão no piso de classe média alta (padrão belga de vida).Desse modo, o Brasil está diante de um país cujo mercado, nos próximos 20 a 30 anos, apresentará forte demanda de produtos e capitais, e forte oferta de equipamentos, tecnologias e capitais. O comércio Brasil – China já saltou de 2 para 8 bilhões de dólares, mas ainda há um vasto campo de oportunidades para novos saltos.

Saiba mais sobre o evento